Analista de Segurança da Informação
- victornunes88
- 21 de ago. de 2025
- 8 min de leitura
Sabe quando uma empresa aparece nas notícias por conta de um vazamento de dados? O Analista de Segurança da Informação é justamente quem trabalha todos os dias para evitar que isso aconteça — e, se acontecer, para responder rápido e minimizar os danos. É uma carreira que mistura raciocínio lógico, curiosidade investigativa e senso prático, com foco em proteger dados, sistemas e processos de negócios contra ataques e falhas.
No Brasil, esse profissional atua em um cenário regulado pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e orientado por frameworks internacionais como ISO/IEC 27001 e o NIST Cybersecurity Framework 2.0, além de práticas de resposta a incidentes acompanhadas pelo CERT.br. Ou seja: há método, há lei e há muita oportunidade para quem gosta de aprender continuamente e resolver problemas reais.

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O que é um Analista de Segurança da Informação
É o profissional responsável por planejar, implementar, monitorar e melhorar controles que mantêm os dados confidenciais, íntegros e disponíveis — os três pilares clássicos da segurança. Na prática, trabalha lado a lado com áreas de TI, produto, jurídico e negócio para avaliar riscos, definir políticas, acompanhar indicadores e responder a incidentes.
Seu trabalho se apoia em normas e frameworks amplamente usados no mercado, como o ISO/IEC 27001:2022 (sistema de gestão de segurança da informação) e o NIST CSF 2.0 (funções “Governar, Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar”), além de cumprir obrigações da LGPD, que rege o tratamento de dados pessoais no Brasil.
O que faz
Monitora eventos e alertas de segurança em ferramentas de monitoramento (SIEM/EDR).
Realiza análise de vulnerabilidades e apoia o ciclo de correção (patching).
Conduz investigações de incidentes, coleta evidências e elabora relatórios.
Define e revisa políticas/normas de segurança e controles de acesso.
Avalia riscos de projetos e mudanças de TI (incluindo cloud).
Implementa e acompanha planos de backup e continuidade de negócios.
Apoia auditorias e certificações (ex.: ISO/IEC 27001) com evidências e métricas.
Conduz campanhas de conscientização e simulações de phishing.
Faz gestão de identidades e acessos (privilégios, MFA, revisão periódica).
Mapeia e trata requisitos de privacidade/LGPD junto ao jurídico e ao DPO quando houver.
Acompanha tendências e avisos de ameaça para atualizar controles preventivos.
Interage com fornecedores e squads para incorporar segurança “by design”.
No dia a dia, o Analista alterna entre o “modo prevenção” (definir políticas, revisar acessos, orientar times, medir riscos) e o “modo resposta” (correlacionar logs, isolar máquinas afetadas, bloquear credenciais, comunicar áreas e aprender com o incidente). Em empresas com SGSI (sistema de gestão pela ISO 27001), ele mantém registros e indicadores; em organizações que seguem o NIST CSF 2.0, ajuda a traduzir os objetivos do framework em processos práticos — por exemplo, fortalecer a função Governar com papéis e métricas, e a Detectar com monitoramento mais inteligente. Como pano de fundo, a LGPD exige base legal, transparência e segurança adequada durante todo o ciclo de vida do dado.
Responsabilidades
Proteger dados e sistemas com foco em confidencialidade, integridade e disponibilidade.
Manter e melhorar controles do SGSI (ISO 27001) e/ou do NIST CSF 2.0.
Monitorar alertas, investigar ocorrências e coordenar resposta a incidentes.
Garantir gestão de identidades e acessos (MFA, privilégios mínimos, revisões).
Conduzir varreduras de vulnerabilidades e priorizar correções com as áreas de TI.
Elaborar relatórios, indicadores (KPIs/KRIs) e planos de ação.
Promover conscientização: treinamento, phishing simulado, boas práticas.
Apoiar auditorias internas/externas e evidenciar conformidade.
Acompanhar requisitos legais e regulatórios (LGPD e setoriais).
Trabalhar com fornecedores e squads para incorporar segurança em projetos.
Registrar lições aprendidas após incidentes e ajustar controles.
Colaborar com o DPO/Encarregado em temas de privacidade quando necessário.
Essas responsabilidades mudam conforme o porte e a maturidade da empresa. Em startups, o Analista costuma vestir “vários chapéus”; em organizações maiores, há especialização (defesa, resposta, governança/risco, privacidade). Em todos os cenários, frameworks como ISO/IEC 27001 e NIST CSF 2.0 ajudam a organizar o trabalho, enquanto a LGPD aponta padrões mínimos de segurança e governança de dados pessoais.
Áreas de atuação
Blue team / SOC (monitoramento 24×7, resposta a incidentes, hunting).
Gestão de riscos e compliance (políticas, auditorias, ISO 27001, NIST CSF).
Privacidade e proteção de dados (apoio a LGPD, DPIA/RIPD, processos com o DPO).
Segurança em nuvem / DevSecOps (controles em cloud, pipeline seguro).
Gestão de identidades (IAM/PAM) e fraude (em bancos/fintechs).
Forense e eDiscovery (coleta e preservação de evidências).
Dá para começar em funções generalistas e, aos poucos, migrar para uma trilha mais especializada — por exemplo, SOC e resposta a incidentes para perfis mais investigativos; GRC (Governança, Risco e Conformidade) para quem curte normas, processos e políticas; cloud/DevSecOps para os apaixonados por arquitetura e automação. Há demanda em bancos, saúde, varejo digital, indústria, governo e provedores de serviços de segurança que atendem múltiplos clientes. O CERT.br mantém estatísticas e materiais públicos que ajudam a entender o panorama de incidentes no país e a fortalecer boas práticas de resposta.
Como se tornar um
O caminho mais comum combina formação em TI (Tecnólogo em Segurança da Informação, Sistemas de Informação, Ciência da Computação, Redes) com certificações e prática. Para começar, ajude muito ter base de redes, sistemas (Windows/Linux), lógica e fundamentos de segurança (cripto, identidade, vulnerabilidades). Três passos práticos:
Base técnica e trilhas iniciais
Monte um plano de estudos com redes, SO, serviços de diretório, cloud básica e fundamentos de segurança. Busque estágios/suporte/SOC júnior para ganhar experiência real (monitoramento, abertura de tickets, investigação de alertas simples).
Certificações de entrada e de gestão
A CompTIA Security+ é reconhecida globalmente como ponto de partida para validar fundamentos. Para quem curte gestão/processos, o caminho ISO/IEC 27001 (Lead Implementer/Auditor) dá visão de SGSI. Em privacidade, formações EXIN PDPF ajudam a
conectar segurança e LGPD.
Portfólio e especialização
Monte projetos práticos (laboratório caseiro, scripts para triagem de logs, políticas modelo), participe de comunidades e acompanhe relatórios de ameaças (ex.: IBM X-Force). Com o tempo, especialize-se em SOC/DFIR, GRC, cloud security ou IAM, de acordo com seu interesse e com as oportunidades na sua região.
Habilidades necessárias para a profissão
Raciocínio analítico e atenção a detalhes (investigação de alertas e logs).
Comunicação clara (traduzir risco técnico para linguagem de negócio).
Conhecimento de redes e sistemas (TCP/IP, AD, Linux/Windows).
Gestão de riscos e normas (ISO/IEC 27001; NIST CSF 2.0).
Noções de privacidade/LGPD e tratamento de incidentes.
Automação e scripting (para acelerar triagem e respostas repetitivas).
Aprendizado contínuo (o cenário de ameaças muda o tempo todo).
Salário médio
A remuneração varia por porte da empresa, segmento, cidade e senioridade (júnior, pleno, sênior). Como referências de mercado brasileiro:
Salario.com.br (CBO 2123-20 – Analista/Administrador em Segurança da Informação): para 2025, apresenta piso e teto nacionais (com detalhamento por estado, setor e porte). É uma base construída a partir de CAGED/eSocial.
Glassdoor: mostra faixa típica de R$ 4 mil a R$ 9 mil/mês com mediana em R$ 6 mil/mês para “Analista de Segurança da Informação” no Brasil, com dados recentes enviados por profissionais.
Dissidio.com.br: compila pisos e reajustes por convenções coletivas, úteis para vagas CLT específicas.
Repare que estimativas de portais podem divergir (metodologias e amostras diferentes). Ao analisar propostas, compare fixo + variáveis (bônus, PLR, on-call, adicional por turno), benefícios e política de trabalho (remoto/híbrido/presencial).
Local e ambiente de trabalho
O Analista atua em escritórios, SOCs (Centros de Operações de Segurança), times de plataforma/cloud e áreas de GRC. A rotina mistura períodos focados (analisar achados, produzir relatórios, revisar acessos) e momentos de colaboração intensa (war rooms, reuniões com produto, auditorias). Em empresas reguladas (finanças, saúde, utilities), o dia a dia inclui evidências de conformidade e testes regulares de continuidade.
Em operações 24×7 (SOCs), há escalas de turnos e plantões — o que traz aprendizados acelerados, mas exige cuidado com qualidade de vida. Ferramentas de monitoramento, ticketing e gestão de riscos fazem parte do kit básico; e a cultura de melhoria contínua pós-incidente é essencial para evoluir controles e reduzir recorrências. O CERT.br publica estatísticas e materiais educativos que ajudam times a priorizar esforços e aprimorar resposta a incidentes no contexto brasileiro.
Mercado de trabalho
A demanda é alta e crescente. Relatórios internacionais indicam um déficit global de talentos em cibersegurança; no Brasil, estimativas recorrentes apontam centenas de milhares de vagas por preencher. Em 2024, materiais baseados no Fortinet Skills Gap Report destacaram que o país poderia precisar de cerca de 750 mil profissionais para fechar a lacuna — sinal claro de oportunidade para quem está entrando.
Do lado das ameaças, 2024–2025 trouxe uma intensificação de golpes de roubo de credenciais e phishing, com o IBM X-Force reportando aumentos expressivos no uso de infostealers e táticas mais furtivas, o que reforça a importância de processos sólidos de gestão de identidades, MFA e detecção de anomalias. Para o Analista, isso significa aprimorar triagem de alertas, correlação de eventos e ações rápidas de containment (reset de senhas, isolamento de endpoints, bloqueios de IPs/domínios).
No ambiente regulatório, a LGPD segue como referência central. A ANPD já aplicou sanções — inclusive a primeira multa a empresa privada (2023) — e tem publicado guias e orientações. Em 2024, houve sanções a órgãos públicos(sem multa, por previsão legal) e um aumento de notificações e ações de fiscalização. Para as empresas, o recado é: compliance e segurança caminham juntos; e para o Analista, há espaço de atuação tanto na proteção técnica quanto no apoio a processos e conformidade.
Outro vetor relevante é a profissionalização por frameworks. A atualização do NIST CSF 2.0 (com a nova função Governar) e a adoção consistente da ISO/IEC 27001:2022 sustentam programas mais maduros, com papéis claros, métricas, avaliações de risco e melhoria contínua. Empresas que estruturam seu SGSI e medem resultados (tempo de detecção, tempo de resposta, redução de superfícies expostas) tendem a demandar analistas capazes de conectar tecnologia, processo e negócio.
Como aproveitar o momento?
Comece por onde você está: suporte/infra ou SOC júnior são portas de entrada valiosas.
Construa repertório: laboratórios práticos, portfólio no GitHub, participação em CTFs e comunidades.
Certifique-se com propósito: Security+ para fundamentos; ISO 27001 (Implementer/Auditor) se você curte GRC; cursos de privacy/LGPD para ampliar o leque.
Acompanhe fontes confiáveis: CERT.br (estatísticas), relatórios como IBM X-Force, comunicados da ANPD.
Perguntas frequentes sobre a profissão
Preciso ser formado em “Segurança da Informação” especificamente? Não obrigatoriamente. Cursos de TI (Sistemas, Computação, Redes) são excelentes portas de entrada. O importante é construir base técnica e comprovar prática. Certificações como Security+ ajudam no início.
Qual a diferença entre Analista de Segurança e DPO (Encarregado)? Funções distintas: o Analista foca controles técnicos/processuais de segurança; o DPO é um papel previsto na LGPD, voltado à governança de dados pessoais e comunicação com titulares/ANPD. Em muitas empresas, eles trabalham juntos, mas não são a mesma função.
Frameworks: uso ISO 27001, NIST ou ambos? Depende do contexto. ISO 27001 orienta um SGSI completo (gestão, riscos, controles); o NIST CSF 2.0 traz resultadosesperados e uma linguagem comum de risco. Muitas empresas combinam os dois.
Dá para começar sem experiência? Sim. Busque vagas/estágios em SOC, suporte de segurança ou GRC júnior; monte laboratório em casa, documente projetos e participe de comunidades para acelerar o aprendizado.
Links e vídeos úteis
LGPD – texto oficial (Planalto). (Planalto)
ANPD – Documentos técnicos e guias orientativos. (Serviços e Informações do Brasil)
CERT.br – Estatísticas de incidentes e materiais. (CERT.br - Estatísticas)
NIST CSF 2.0 – site oficial e guia. (NIST)
ISO/IEC 27001:2022 – visão geral (ISO). (ISO)
Relatório Fortinet – Skills Gap 2024 (PT/EN). (Fortinet)
IBM X-Force Threat Intelligence Index 2025 (Newsroom). (IBM Newsroom)
CompTIA Security+ (página oficial). (CompTIA)
Curso/Trilha ISO 27001 (Lead Implementer/Auditor) – exemplos. (Escola Superior de Redes, https://brasil.certiprof.com/)
EXIN – Privacy & Data Protection (LGPD/GDPR) – exemplo de formação. (tiexames.com.br)




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