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Analista de Segurança da Informação

Sabe quando uma empresa aparece nas notícias por conta de um vazamento de dados? O Analista de Segurança da Informação é justamente quem trabalha todos os dias para evitar que isso aconteça — e, se acontecer, para responder rápido e minimizar os danos. É uma carreira que mistura raciocínio lógico, curiosidade investigativa e senso prático, com foco em proteger dados, sistemas e processos de negócios contra ataques e falhas.


No Brasil, esse profissional atua em um cenário regulado pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e orientado por frameworks internacionais como ISO/IEC 27001 e o NIST Cybersecurity Framework 2.0, além de práticas de resposta a incidentes acompanhadas pelo CERT.br. Ou seja: há método, há lei e há muita oportunidade para quem gosta de aprender continuamente e resolver problemas reais.



O que é um Analista de Segurança da Informação


É o profissional responsável por planejar, implementar, monitorar e melhorar controles que mantêm os dados confidenciaisíntegros e disponíveis — os três pilares clássicos da segurança. Na prática, trabalha lado a lado com áreas de TI, produto, jurídico e negócio para avaliar riscos, definir políticas, acompanhar indicadores e responder a incidentes.


Seu trabalho se apoia em normas e frameworks amplamente usados no mercado, como o ISO/IEC 27001:2022 (sistema de gestão de segurança da informação) e o NIST CSF 2.0 (funções “Governar, Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar”), além de cumprir obrigações da LGPD, que rege o tratamento de dados pessoais no Brasil.


O que faz


  • Monitora eventos e alertas de segurança em ferramentas de monitoramento (SIEM/EDR).

  • Realiza análise de vulnerabilidades e apoia o ciclo de correção (patching).

  • Conduz investigações de incidentes, coleta evidências e elabora relatórios.

  • Define e revisa políticas/normas de segurança e controles de acesso.

  • Avalia riscos de projetos e mudanças de TI (incluindo cloud).

  • Implementa e acompanha planos de backup e continuidade de negócios.

  • Apoia auditorias e certificações (ex.: ISO/IEC 27001) com evidências e métricas.

  • Conduz campanhas de conscientização e simulações de phishing.

  • Faz gestão de identidades e acessos (privilégios, MFA, revisão periódica).

  • Mapeia e trata requisitos de privacidade/LGPD junto ao jurídico e ao DPO quando houver.

  • Acompanha tendências e avisos de ameaça para atualizar controles preventivos.

  • Interage com fornecedores e squads para incorporar segurança “by design”.


No dia a dia, o Analista alterna entre o “modo prevenção” (definir políticas, revisar acessos, orientar times, medir riscos) e o “modo resposta” (correlacionar logs, isolar máquinas afetadas, bloquear credenciais, comunicar áreas e aprender com o incidente). Em empresas com SGSI (sistema de gestão pela ISO 27001), ele mantém registros e indicadores; em organizações que seguem o NIST CSF 2.0, ajuda a traduzir os objetivos do framework em processos práticos — por exemplo, fortalecer a função Governar com papéis e métricas, e a Detectar com monitoramento mais inteligente. Como pano de fundo, a LGPD exige base legal, transparência e segurança adequada durante todo o ciclo de vida do dado.


Responsabilidades


  • Proteger dados e sistemas com foco em confidencialidade, integridade e disponibilidade.

  • Manter e melhorar controles do SGSI (ISO 27001) e/ou do NIST CSF 2.0.

  • Monitorar alertas, investigar ocorrências e coordenar resposta a incidentes.

  • Garantir gestão de identidades e acessos (MFA, privilégios mínimos, revisões).

  • Conduzir varreduras de vulnerabilidades e priorizar correções com as áreas de TI.

  • Elaborar relatórios, indicadores (KPIs/KRIs) e planos de ação.

  • Promover conscientização: treinamento, phishing simulado, boas práticas.

  • Apoiar auditorias internas/externas e evidenciar conformidade.

  • Acompanhar requisitos legais e regulatórios (LGPD e setoriais).

  • Trabalhar com fornecedores e squads para incorporar segurança em projetos.

  • Registrar lições aprendidas após incidentes e ajustar controles.

  • Colaborar com o DPO/Encarregado em temas de privacidade quando necessário.


Essas responsabilidades mudam conforme o porte e a maturidade da empresa. Em startups, o Analista costuma vestir “vários chapéus”; em organizações maiores, há especialização (defesa, resposta, governança/risco, privacidade). Em todos os cenários, frameworks como ISO/IEC 27001 e NIST CSF 2.0 ajudam a organizar o trabalho, enquanto a LGPD aponta padrões mínimos de segurança e governança de dados pessoais.


Áreas de atuação


  • Blue team / SOC (monitoramento 24×7, resposta a incidentes, hunting).

  • Gestão de riscos e compliance (políticas, auditorias, ISO 27001, NIST CSF).

  • Privacidade e proteção de dados (apoio a LGPD, DPIA/RIPD, processos com o DPO).

  • Segurança em nuvem / DevSecOps (controles em cloud, pipeline seguro).

  • Gestão de identidades (IAM/PAM) e fraude (em bancos/fintechs).

  • Forense e eDiscovery (coleta e preservação de evidências).


Dá para começar em funções generalistas e, aos poucos, migrar para uma trilha mais especializada — por exemplo, SOC e resposta a incidentes para perfis mais investigativos; GRC (Governança, Risco e Conformidade) para quem curte normas, processos e políticas; cloud/DevSecOps para os apaixonados por arquitetura e automação. Há demanda em bancos, saúde, varejo digital, indústria, governo e provedores de serviços de segurança que atendem múltiplos clientes. O CERT.br mantém estatísticas e materiais públicos que ajudam a entender o panorama de incidentes no país e a fortalecer boas práticas de resposta.


Como se tornar um


O caminho mais comum combina formação em TI (Tecnólogo em Segurança da Informação, Sistemas de Informação, Ciência da Computação, Redes) com certificações e prática. Para começar, ajude muito ter base de redes, sistemas (Windows/Linux), lógica e fundamentos de segurança (cripto, identidade, vulnerabilidades). Três passos práticos:


  1. Base técnica e trilhas iniciais

    Monte um plano de estudos com redes, SO, serviços de diretório, cloud básica e fundamentos de segurança. Busque estágios/suporte/SOC júnior para ganhar experiência real (monitoramento, abertura de tickets, investigação de alertas simples).


  2. Certificações de entrada e de gestão

    CompTIA Security+ é reconhecida globalmente como ponto de partida para validar fundamentos. Para quem curte gestão/processos, o caminho ISO/IEC 27001 (Lead Implementer/Auditor) dá visão de SGSI. Em privacidade, formações EXIN PDPF ajudam a

    conectar segurança e LGPD.


  3. Portfólio e especialização

    Monte projetos práticos (laboratório caseiro, scripts para triagem de logs, políticas modelo), participe de comunidades e acompanhe relatórios de ameaças (ex.: IBM X-Force). Com o tempo, especialize-se em SOC/DFIR, GRC, cloud security ou IAM, de acordo com seu interesse e com as oportunidades na sua região.


Habilidades necessárias para a profissão


  • Raciocínio analítico e atenção a detalhes (investigação de alertas e logs).

  • Comunicação clara (traduzir risco técnico para linguagem de negócio).

  • Conhecimento de redes e sistemas (TCP/IP, AD, Linux/Windows).

  • Gestão de riscos e normas (ISO/IEC 27001; NIST CSF 2.0).

  • Noções de privacidade/LGPD e tratamento de incidentes.

  • Automação e scripting (para acelerar triagem e respostas repetitivas).

  • Aprendizado contínuo (o cenário de ameaças muda o tempo todo).


Salário médio


A remuneração varia por porte da empresa, segmento, cidade e senioridade (júnior, pleno, sênior). Como referências de mercado brasileiro:


  • Salario.com.br (CBO 2123-20 – Analista/Administrador em Segurança da Informação): para 2025, apresenta piso e teto nacionais (com detalhamento por estado, setor e porte). É uma base construída a partir de CAGED/eSocial.

  • Glassdoor: mostra faixa típica de R$ 4 mil a R$ 9 mil/mês com mediana em R$ 6 mil/mês para “Analista de Segurança da Informação” no Brasil, com dados recentes enviados por profissionais.

  • Dissidio.com.br: compila pisos e reajustes por convenções coletivas, úteis para vagas CLT específicas.


Repare que estimativas de portais podem divergir (metodologias e amostras diferentes). Ao analisar propostas, compare fixo + variáveis (bônus, PLR, on-call, adicional por turno), benefícios e política de trabalho (remoto/híbrido/presencial).


Local e ambiente de trabalho


O Analista atua em escritórios, SOCs (Centros de Operações de Segurança), times de plataforma/cloud e áreas de GRC. A rotina mistura períodos focados (analisar achados, produzir relatórios, revisar acessos) e momentos de colaboração intensa (war rooms, reuniões com produto, auditorias). Em empresas reguladas (finanças, saúde, utilities), o dia a dia inclui evidências de conformidade e testes regulares de continuidade.


Em operações 24×7 (SOCs), há escalas de turnos e plantões — o que traz aprendizados acelerados, mas exige cuidado com qualidade de vida. Ferramentas de monitoramento, ticketing e gestão de riscos fazem parte do kit básico; e a cultura de melhoria contínua pós-incidente é essencial para evoluir controles e reduzir recorrências. O CERT.br publica estatísticas e materiais educativos que ajudam times a priorizar esforços e aprimorar resposta a incidentes no contexto brasileiro.


Mercado de trabalho


demanda é alta e crescente. Relatórios internacionais indicam um déficit global de talentos em cibersegurança; no Brasil, estimativas recorrentes apontam centenas de milhares de vagas por preencher. Em 2024, materiais baseados no Fortinet Skills Gap Report destacaram que o país poderia precisar de cerca de 750 mil profissionais para fechar a lacuna — sinal claro de oportunidade para quem está entrando.


Do lado das ameaças, 2024–2025 trouxe uma intensificação de golpes de roubo de credenciais e phishing, com o IBM X-Force reportando aumentos expressivos no uso de infostealers e táticas mais furtivas, o que reforça a importância de processos sólidos de gestão de identidades, MFA e detecção de anomalias. Para o Analista, isso significa aprimorar triagem de alertas, correlação de eventos e ações rápidas de containment (reset de senhas, isolamento de endpoints, bloqueios de IPs/domínios).


No ambiente regulatório, a LGPD segue como referência central. A ANPD já aplicou sanções — inclusive a primeira multa a empresa privada (2023) — e tem publicado guias e orientações. Em 2024, houve sanções a órgãos públicos(sem multa, por previsão legal) e um aumento de notificações e ações de fiscalização. Para as empresas, o recado é: compliance e segurança caminham juntos; e para o Analista, há espaço de atuação tanto na proteção técnica quanto no apoio a processos e conformidade.


Outro vetor relevante é a profissionalização por frameworks. A atualização do NIST CSF 2.0 (com a nova função Governar) e a adoção consistente da ISO/IEC 27001:2022 sustentam programas mais maduros, com papéis claros, métricas, avaliações de risco e melhoria contínua. Empresas que estruturam seu SGSI e medem resultados (tempo de detecção, tempo de resposta, redução de superfícies expostas) tendem a demandar analistas capazes de conectar tecnologia, processo e negócio.


Como aproveitar o momento?


  • Comece por onde você está: suporte/infra ou SOC júnior são portas de entrada valiosas.

  • Construa repertório: laboratórios práticos, portfólio no GitHub, participação em CTFs e comunidades.

  • Certifique-se com propósitoSecurity+ para fundamentos; ISO 27001 (Implementer/Auditor) se você curte GRC; cursos de privacy/LGPD para ampliar o leque.

  • Acompanhe fontes confiáveisCERT.br (estatísticas), relatórios como IBM X-Force, comunicados da ANPD.


Perguntas frequentes sobre a profissão


Preciso ser formado em “Segurança da Informação” especificamente? Não obrigatoriamente. Cursos de TI (Sistemas, Computação, Redes) são excelentes portas de entrada. O importante é construir base técnica e comprovar prática. Certificações como Security+ ajudam no início.


Qual a diferença entre Analista de Segurança e DPO (Encarregado)? Funções distintas: o Analista foca controles técnicos/processuais de segurança; o DPO é um papel previsto na LGPD, voltado à governança de dados pessoais e comunicação com titulares/ANPD. Em muitas empresas, eles trabalham juntos, mas não são a mesma função.


Frameworks: uso ISO 27001, NIST ou ambos? Depende do contexto. ISO 27001 orienta um SGSI completo (gestão, riscos, controles); o NIST CSF 2.0 traz resultadosesperados e uma linguagem comum de risco. Muitas empresas combinam os dois.


Dá para começar sem experiência? Sim. Busque vagas/estágios em SOC, suporte de segurança ou GRC júnior; monte laboratório em casa, documente projetos e participe de comunidades para acelerar o aprendizado.


Links e vídeos úteis


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