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Zoólogo

Se você é do tipo que se encanta com documentários de natureza, curte observar animais (do beija-flor ao boto, do tamanduá à tartaruga) e quer trabalhar para que espécies e ecossistemas continuem existindo no futuro, a profissão de zoólogo pode ser a sua cara.


Em linguagem simples, o zoólogo é o especialista que estuda animais — seu comportamento, sua distribuição, suas necessidades — e transforma esse conhecimento em ações práticas: inventários de fauna, manejo, educação ambiental, apoio a licenças ambientais, criação de materiais de divulgação científica, cuidado em centros de reabilitação, entre muitas outras.


No Brasil, esse trabalho tem impacto gigante: somos um país megadiverso, com uma rede de unidades de conservação, programas de proteção e ciência cidadã que precisam de gente capacitada. Instituições públicas e privadas (universidades, ONGs, empresas de consultoria, zoológicos, aquários, parques) formam um ecossistema onde o zoólogo atua para conhecer, conservar e valorizar a fauna. Para pesquisar e coletar legalmente em áreas protegidas, inclusive, há sistemas específicos de autorização — o que mostra como a carreira anda de mãos dadas com responsabilidade e normas claras.



O que é um Zoólogo


No Brasil, a trilha mais comum para ser zoólogo é se formar em Ciências Biológicas e se especializar em Zoologia. Ou seja: o zoólogo, na prática, é um(a) biólogo(a) com foco em fauna. A profissão de Biólogo é regulamentada por lei (Lei nº 6.684/1979), e o exercício profissional exige registro no CRBio (Conselho Regional de Biologia). Sem o registro, não é permitido assinar laudos, relatórios e outros documentos técnicos da área. Os Conselhos (CFBio/CRBios) atualizam resoluções que definem áreas de atuação e atividades — como inventários, manejo, consultoria, educação, direção técnica de projetos e emissão de pareceres. Em 2024 e 2025, o CFBio consolidou e atualizou regras e procedimentos, reforçando, por exemplo, a necessidade de identificar o número de registro nos documentos profissionais.


O que faz


  • Realiza inventários de fauna (listar espécies de uma área).

  • Observa e registra comportamento e hábitos de espécies-alvo.

  • Faz monitoramento (acompanhar presença de espécies ao longo do tempo).

  • Apoia licenciamento ambiental com estudos de fauna (em equipe multidisciplinar).

  • Atua na conservação: identifica ameaças e sugere medidas de proteção.

  • Organiza e cuida de coleções zoológicas (museus, universidades).

  • Trabalha com educação ambiental em escolas, parques, zoológicos e aquários.

  • Colabora em resgate e reabilitação de animais silvestres (CETAS e parceiros).

  • Escreve relatórios técnicos e pareceres para órgãos e clientes.

  • Dialoga com comunidades locais sobre convivência com fauna.

  • Participa de projetos de turismo de natureza, orientando boas práticas.

  • Usa dados (planilhas, aplicativos, mapas) para analisar e comunicar resultados.


No cotidiano, o zoólogo alterna campo e escritório. Alguns dias começam cedo, com bota, caderno e binóculo, para checar armadilhas fotográficas ou pontos de observação; outros dias são de computador, organizando dados, escrevendo relatórios e preparando apresentações.


Em projetos que envolvem áreas protegidas, o profissional segue planos de manejo e autorização específicos (como o SISBio). Em trabalhos de conservação, é comum integrar times com gestores de Unidades de Conservaçãoeducadoresengenheiros ambientais e lideranças locais, tornando o trabalho colaborativo e multidisciplinar.


Responsabilidades


  • Cumprir leis e autorizações (ex.: SISBio para pesquisa/coleta em UCs).

  • Agir com ética e bem-estar animal em todas as atividades.

  • Planejar saídas de campo com segurança, logística e rotas de comunicação.

  • Registrar dados confiáveis (datas, horários, locais, condições) e manter backups.

  • Identificar corretamente as espécies (ou registrar dúvida de modo transparente).

  • Comunicar resultados de forma clara para equipes e comunidades.

  • Elaborar relatórios e pareceres com identificação do CRBio, quando aplicável.

  • Respeitar planos de manejo e regras de Unidades de Conservação.

  • Sinalizar riscos ambientais e propor medidas de mitigação.

  • Trabalhar em equipe com profissionais de áreas afins (botânica, geoprocessamento, educação).

  • Zelar por segurança em campo (hidratação, EPI, primeiros socorros).

  • Cumprir a Lei de Crimes Ambientais e orientar terceiros sobre práticas legais.


Essas responsabilidades protegem animais, pessoas e projetos. O trabalho com fauna não é improviso: envolve autorização quando necessário, respeito aos protocolos, registros precisos e comunicação responsável com o público.


Áreas de atuação


  • Conservação da natureza: unidades de conservação, ONGs, projetos de espécies ameaçadas.

  • Consultoria ambiental: estudos de fauna para licenciamento de obras e atividades.

  • Pesquisa e ensino: universidades, museus e institutos.

  • Zoológicos, aquários e centros de reabilitação: manejo, educação e bem-estar animal.

  • Turismo de natureza e educação ambiental: trilhas guiadas, observação de fauna, materiais didáticos.

  • Órgãos públicos: secretarias de meio ambiente, centros de triagem (CETAS), fiscalização.


O Brasil mantém um Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC) que reúne dados e painéis sobre áreas protegidas — onde se concentram muitas oportunidades para monitoramentoeducação e gestão da fauna. Além disso, a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas orienta políticas e projetos, demandando profissionais aptos a planejar ações de conservação e dialogar com a sociedade.


Como se tornar um


Para ser zoólogo no Brasil, o caminho mais direto é:

  1. Graduação em Ciências Biológicas (bacharelado). Essa formação dá base para atuar como biólogo. Ao se formar, faça o registro no CRBio da sua região — é esse registro que habilita o exercício legal.

  2. Especialização em Zoologia (lato sensu), mestrado ou disciplinas optativas focadas em fauna. Isso abre portas em pesquisa, consultoria e conservação.

  3. Vivência de campo desde cedo: procure estágios em laboratórios de zoologia, museus, ONGs e Unidades de Conservação; participe de expedições e inventários acompanhando equipes experientes.

  4. Autorizações e ética: aprenda como funciona o SISBio/ICMBio para pesquisa/coleta — inclusive o que pode e o que não pode fazer em campo. Isso é diferencial na hora de ser contratado.

  5. Rede profissional: acompanhe a Sociedade Brasileira de Zoologia (SBZ), eventos, cursos e chamadas de voluntariado. Essas conexões ajudam a descobrir projetos e vagas.

  6. Habilidades de dados e comunicação: planilhas, mapas simples e texto claro (relatórios, posts, apresentações) são tão importantes quanto saber identificar uma espécie.


Habilidades necessárias para a profissão


Mais do que decorar nomes complicados, o que pesa é postura profissional e consistência:

  • Observação afiada (olhar clínico para comportamento e sinais).

  • Organização (dados, cadernos de campo, prazos).

  • Comunicação clara (escrever relatórios, falar com diferentes públicos).

  • Trabalho em equipe (projetos multidisciplinares e com comunidades).

  • Respeito a normas (autorização, bem-estar animal, segurança).

  • Resiliência (sol, chuva, mosquitos, imprevistos).

  • Curiosidade e estudo contínuo (novas técnicas de monitoramento, tendências).

  • Noção de geografia/mapas (orientação e registro de locais).

  • Ética e empatia com pessoas e animais.


Salário médio


Como “zoólogo” costuma aparecer nas bases oficiais sob o guarda-chuva de Biólogo (CBO 2211-05), vale usar essa referência. O Salario.com.br, que compila dados do Novo CAGED, mostra que biólogos ganham em média R$ 4.390/mês no Brasil, com piso por volta de R$ 4.270 e teto próximo de R$ 8.688 (atualizado em 06 de agosto de 2025). A variação depende de estado, setor (consultoria, ONG, ensino, governo, zoológicos/aquários), porte da instituição e experiência. Plataformas como Glassdoor reúnem salários autorrelatados — úteis para ter uma noção do que empresas específicas estão praticando, mas com metodologias variadas. Sempre compare salário + benefícios (campo, diárias, equipamentos, plano de saúde) e tipo de contrato.


Local e ambiente de trabalho


O trabalho do zoólogo acontece em dois mundos que se completam. No campo, espere madrugadas, trilhas, calor ou frio, contato com água/lama/areia e muito planejamento: checar previsão, combinar pontos de encontro, levar EPI, água, lanterna, GPS/celular, guia de espécies e autorizações impressas ou no celular. Em Unidades de Conservação, há regras de visitação e pesquisa (acampamento, horários, áreas de acesso, conduta com fauna). Em zoológicos e aquários, a rotina é mais estruturada e envolve protocolos de bem-estar animal e educação do público.


Em escritório, você organiza dados, escreve relatórios, faz mapas simples e revisa material de educação ambiental. O clima é colaborativo: zoólogos trabalham com educadores, gestores de UCs, técnicos de campo, comunicadores e comunidades locais. Em tudo, a palavra-chave é cuidado — com você, com a equipe e com os animais.


Mercado de trabalho


O mercado para quem quer trabalhar com fauna no Brasil é diverso e está ligado a três forças principais: conservação da naturezaregulação ambiental e economia da natureza (como o turismo). Eis um panorama prático para quem está no Ensino Médio:


1) Conservação e pesquisaO Brasil possui uma rede de Unidades de Conservação (federais, estaduais e municipais) catalogadas no CNUC, com painéis e dados acessíveis ao público. Essas áreas precisam de inventáriosmonitoramentos e educação ambiental, o que abre espaço para projetos permanentes e temporários. Para atuar em pesquisa/coleta nessas áreas, é fundamental entender o SISBio, que dá as autorizações e define as condições de trabalho. Além disso, o país mantém uma Lista Nacional de Espécies Ameaçadas, atualizada por portarias do MMA/ICMBio — um guia do que precisa de atenção imediata, direcionando recursos e equipes. Para o zoólogo, isso significa participar de planos de ação e de programas de conservação que acontecem em todo o território.


2) Licenciamento ambiental e consultoriaEmpreendimentos (estradas, linhas de energia, mineração, parques eólicos/solares, obras urbanas) passam por licenciamento ambiental, que geralmente exige estudos de fauna. Nesses estudos, o zoólogo trabalha em equipe com profissionais de outras áreas, elaborando diagnósticos e monitoramentos e propondo medidas de mitigação. A Lei de Crimes Ambientais baliza o que é permitido e o que é infração; isso pressiona empresas a contratarem equipes qualificadas e com registro. Em outras palavras: quem sabe planejar e comunicar bem, respeitando normas, encontra demanda recorrente.


3) Economia da natureza: turismo, educação e culturaturismo de natureza/ecoturismo vem crescendo e já responde por cerca de 60% do faturamento de pequenos negócios do setor, segundo levantamento com apoio do Ministério do Turismo. Isso gera oportunidades para quem ama guiar trilhas, produzir roteiros interpretativos, criar materiais de educação e orientar boas práticas com fauna (ex.: observação de aves sem perturbar ninhos). Parques, RPPNs, fazendas de natureza, hotéis e operadoras buscam gente que entende de fauna + acolhimento.


4) Tendências e sinais recentes

  • Dados melhores, decisões melhores: IBGE e projetos como MapBiomas vêm divulgando avaliações e mapas atualizados sobre biodiversidade e uso da terra, o que dá base técnica para políticas e projetos. Zoólogos que sabem ler dados e apresentar insights claros saem na frente.

  • Bem-estar animal em foco: resoluções recentes do CFBio reforçam diretrizes para atuação com bem-estar na área de fauna. Diferencial para quem quer trabalhar em zoológicos, aquários e centros de reabilitação.

  • Educação e engajamento: a Sociedade Brasileira de Zoologia e outras entidades mantêm informativos, revistas e eventos — ótimos para networking e oportunidades.


Como isso se traduz em vagas?


  • Setor público e ONGs: projetos de espécies ameaçadas, monitoramentos em UCs e ações com comunidades.

  • Consultorias: contratos por projeto (inventários, monitoramentos, relatórios).

  • Parques/zoológicos/aquários: educação, manejo sob supervisão, comunicação com o público.

  • Universidades e museus: apoio a coleções zoológicas, pesquisa, extensão e divulgação científica.


Dicas para entrar


  • Busque estágios (mesmo voluntários) em projetos de fauna e museus; isso conta muito no início.

  • Aprenda a contar histórias com dados (gráficos, mapas simples e fotos boas).

  • Construa um portfólio com 2–3 páginas: mini-relatos de campo, fotos autorais, um gráfico e uma página com “o que eu sei fazer”.

  • Tenha registro no CRBio em dia e conheça o SISBio — empregadores valorizam.


Perguntas frequentes sobre a profissão


Preciso ser biólogo para atuar como zoólogo? Sim. No Brasil, a Zoologia costuma ser uma especialização dentro das Ciências Biológicas. Para exercer legalmente (assinar laudos, relatórios), é preciso registro no CRBio.


Posso coletar animais silvestres sem autorização? Não. Em áreas protegidas e cavernas, a autorização do SISBio/ICMBio é necessária para pesquisa e coleta. Fora disso, a Lei 9.605/1998 prevê sanções para atividades que prejudiquem a fauna.


Onde estão as melhores oportunidades para começar? Em projetos de conservaçãoconsultorias ambientaiszoológicos/aquários (educação) e Unidades de Conservação(monitoramentos). Fique de olho na SBZ e em editais de estágios/voluntariado.


Links e vídeos úteis


1 comentário


MIRELI ALVES SILVA
MIRELI ALVES SILVA
25 de nov. de 2025

gostei muito de ser avaliado pela plantaforma

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